“Introduction to Espectros Da Terra for IndieLisboa”, May 2019

ESPECTROS DA TERRA 2018 Daniel Fawcett & Clara Pais

An introduction to the screening of Espectros da Terra at IndieLisboa Festival, on 6th May 2019. Written by Daniel Fawcett & Clara Pais.

Hello to everyone at Indielisboa, the festival team and those who are attending the screening. We are very sorry we can’t be there today but we’d like say thank you to the festival team for including our film in this programme and organising this fantastic event.

We have been asked by Miguel to say a few words about our short film Espectros da Terra:

In our work we are often led away from the urban world into those spaces that are occupied or reclaimed by nature, where time is less determined and the presence of the unknown can be felt more keenly. We have filmed in wastelands and woods, on beaches, rivers and mountains, and filled them with characters – from life, myth and dreams. In Espectros da Terra, instead of going out into the countryside, we decided to shoot in the overlooked areas hidden between buildings in towns, on roundabouts and behind supermarkets – those disused spaces which, over time, are reclaimed back by nature. This short film was shot on location in overgrown plots around Porto, Gaia and Espinho, but what the camera has captured is not a document of the world as it is now, but a dream of a world to come.

With this film we reflect on the human being and our relationship with the natural world, and on the myths we have to understand and commune with this world – Espectros da Terra gives form to some of the spirits of the earth. For us this is a film about the environment, the spirits of the earth on a planet that is dying; it is a film about the great sadness we feel at the knowledge that we humans are destroying the planet we live on. In this film we wanted to express something about our relationship with nature that exists beyond words, we try to look beyond the human world and commune with the spectres of the earth. For a brief moment we lift the veil and we see the world as it is in spirit, in myth and imagination, and we discover that what we destroy in nature also dies within ourselves.

Olá a todos, cara equipa do Indielisboa e aos que vieram assistir a esta sessão. Infelizmente não nos foi possível estar convosco hoje, mas gostaríamos de deixar os nossos agradecimentos a toda a equipa do festival por incluir o nosso filme e organizar este fantástico evento.

A pedido do Miguel, partilhamos convosco algumas palavras sobre o nosso filme, Espectros da Terra:

Nos nossos filmes, somos frequentemente atraídos para além do mundo urbano, para os espaços ocupados ou reivindicados pela natureza, em que o tempo se torna menos determinado e a presença do desconhecido se pode sentir mais intensamente. Filmámos em ermos e bosques, em praias, rios e serras, e enchemo-los de personagens – reais, de mito e sonho. Em Espectros da Terra, em vez de partir para o campo, decidimos filmar nas áreas esquecidas que se escondem entre os prédios das cidades, em rotundas e detrás de supermercados – aqueles espaços desusados que, com o tempo, são reconquistados pela natureza. Esta curta foi filmada on location em lotes baldios nas zonas do Porto, Gaia e Espinho, mas o que a câmara captura não é um documento do mundo como ele é agora, mas um sonho de um mundo que há-de vir.

Com este filme, reflectimos sobre o ser humano e a sua relação com o mundo natural, e sobre os mitos que temos para compreender e comungar com esse mundo – Espectros Da Terra dá corpo a alguns dos espíritos da terra. Para nós este é um filme sobre o ambiente, os espíritos da natureza num planeta que está a morrer; é um filme sobre a grande tristeza que sentimos ao saber que nós humanos estamos a destruir o planeta em que vivemos. Neste filme queríamos expressar algo sobre a nossa relação com a natureza que existe para além de palavras, tentar olhar para além do mundo humano e comungar com os espectros da terra. Por um breve momento levantamos o véu e vemos o mundo como ele é em espírito, em mito e imaginação, e descobrimos que aquilo que destruímos na natureza morre também dentro de nós.